segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ACONTECE COM OS BONS ALUNOS

Tenho a convicção, talvez errada, de que os alunos, todos, respondem colaborativa e assertivamente ao desempenho dos professores. 
Ou seja, eu acredito que se um professor investe no que faz, se se envolve com os alunos, se cria com eles uma relação assente na empatia e no respeito, a aula resulta, a indisciplina torna-se residual e as aprendizagens acontecem. Mas, só para eu me lembrar de que as minhas certezas estão frequentemente erradas, às vezes vivo experiências dolorosas e para as quais nem  os manuais de pedagogia, nem as muitas horas de formação, têm resposta. 
Como reagir quando, a meio de uma abordagem da poesia de Fernando Pessoa, quando tento, com a turma, desmontar eixos de pensamento, dois bons alunos brincam, jogam, com papelinhos onde registam palavras idiotas, rindo divertidos e incomodando todos?! Ralhar? A jovens de 17 anos?? Explicar? Como explicar a quem já entendeu?? A quem, deliberada e conscientemente opta pela transgressão?
Hoje, tenho trabalho para o serão: - Tentar descobrir como lidar com este comportamento que me chateia, me ofende e me entristece...Se calhar, eu estava a ser mesmo desinteressante!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ELEIÇÕES NA ESCOLA

Nos últimos dias, talvez nas duas últimas semanas, têm decorrido em muitas escolas e agrupamentos de escolas as eleições para as respectivas Associações de Estudantes. Todos os anos, com maior ou menor agitação, o processo ocorre e eu, sempre, acompanho tudo com interesse real. 
Gosto de ver a dinâmica, o interesse, a entrega que os alunos colocam neste processo e penso, todos os anos, que os jovens são fantásticos quando querem. Chego a pensar, só para mim, que se a sala de aula conseguisse ser, para eles, tão interessante e significativa como a Associação de Estudantes, Portugal ficaria nos primeiros lugares de todos os rankings medidores de sucesso educativo... Mas não é, hoje, da necessidade de mudar a prática lectiva, da urgência de desenvolver estratégias mais envolventes, que eu quero falar. 
O que me levou a sair do sofá, a interromper o enroscanço na minha solidão, foi mesmo não conseguir deixar de pensar no processo eleitoral para a  Associação de Estudantes... 
Toda a campanha, na Escola e no Agrupamento que pude observar mais de perto, foi feita com muitos materiais de qualidade e elevado custo: - Flyers coloridos, balões, T-shirts impressas, brindes (canetas, etc), DJ´s convidados, largas faixas em tecido, autocolantes, cartazes, para além, claro, das muitas redes sociais . Espanta-me a quantidade de dinheiro, o enorme investimento, que as famílias fazem neste processo. Espanta-me porque, frequentemente, oiço os alunos dizerem que não podem adquirir este ou aquele livro, participar nesta ou naquela actividade, exactamente porque as famílias não podem pagar. Penso, talvez erradamente, que as prioridades estão um pouco invertidas...
Mas, ao mesmo tempo, eu confesso que aprecio muitíssimo este tempo de campanha eleitoral nas escolas. Gosto do colorido, da actividade constante, da música, dos miúdos que ficam na escola muito para lá da conclusão das aulas! Só não gosto, mas nem um bocadinho, é de algumas imitações do que de pior têm as campanhas eleitorais dos "adultos". Não gosto de os ver desrespeitarem as listas adversárias, não gosto de os ver ignorar as mais elementares regras da democracia. 
Por tudo isto, eu acho que as campanhas eleitorais para as Associações de Estudantes, tal como a organização das terríveis (algumas)  viagens de finalistas, deviam implicar, de uma forma mais continuada e activa, os professores e as Associações de Pais. Mas, já sei, eu tenho a mania de achar coisas esquisitas...

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

FARTAÇÃO DESILUDIDA

O tempo quente, seco, incómodo, acerta nos meus sentires. Trago em mim um desejo intenso, absurdo?, de partir, de dizer chega. Olho o hoje, esqueço o ontem, e mergulho no vazio do amanhã. Conheço a ausência de resposta, por isso não formulo porquês. Agora, quero a paz do esquecimento. Sim. Que o Tempo se esqueça de mim, que a vida me deixe sair de cena de mansinho, sem despedidas nem epitáfios. 
O cansaço, a mágoa, a desilusão, a desesperança, embrulham a insónia anunciada. 
Não quero nada. E esse nada está a abarrotar de quereres pensados e ainda sentidos. Nada por nada e, ainda assim, uma imensidão de tudos que cada acordar me impõe.
Quando eu não acordar, as páginas que não escrevi ganharão sentido. Talvez.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

DEMOCRACIA

Garantem que é assim, que o povo - uma entidade que não sei exactamente o que é -, é soberano nas suas decisões. Dizem que o tal povo, nós?, sabe o que é melhor. Mas eu não acredito. Não acredito num povo inculto, que em Angola elege a continuação da ditadura, em Portalegre a continuação de nada, em Oeiras a maioria absoluta de quem comprovadamente roubou. Não acredito que seja solução permitir que um eleito com pouquíssimos votos, de uma força partidária que a maioria não quis (por isso só um elemento foi eleito) vá ter poder para decidir, porque vai, com certeza, como sempre fez seja qual for a força que governe, fazer acordos para ter poder. Tenho muita pena que os portalegrenses tenham colocado, na liderança da Assembleia Municipal, alguém que nunca fez mais nada na vida para além de politiquices. 
A democracia tem de ser qualidade. A democracia não pode ser uma sequência de jogadas sujas!
Não gosto deste Tempo de sem vergonhice e tenho muita pena de olhar a democracia como uma Casa muito mal frequentada.

sábado, 30 de setembro de 2017

REFLEXÃO

Hoje, é dia de reflexão. Para mim, é mais uma idiotice imposta por gente que não costuma reflectir. Porque pensar, tomar consciência das muitas oportunidade, escolher, dizer sim, dizer não, é, ou deve ser, uma tarefa de todos os dias. Mais, de muitas vezes aos dias. Faz-me alguma confusão esta ideia de que, depois de uma campanha eleitoral, as pessoas precisam de um dia para reflectir. Porquê? Não houve tempo, mais do que tempo!, para se ouvir, ler, ver, escolher? Haverá alguém que , de verdade, aproveite o dia de hoje para reflectir?

Claro que um dia de reflexão, em si mesmo, não tem importância nenhuma. Aliás é até bom para descansar de barulho, de arruadas, de carros roufenhos a encherem-nos os ouvidos de ruído. O que me irrita é a hipocrisia que está por detrás desta ideia de reflexão! Irrita-me que nos tomem por parvos, e que sejamos parvos o suficiente para aceitarmos todas as barbaridades que nos impingem. eu defendo, desde que me lembro de ter preocupações cívicas, que a Liberdade deve ser o Valor Primeiro de uma sociedade e, por isso, penso que devíamos ser suficientemente livres reflectir quando quiséssemos!
Detesto que me mandem fazer seja o que for, mas que me digam que há um dia para reflectir, ofende-me!

domingo, 24 de setembro de 2017

ELEIÇÕES

Embora apenas há menos de oito dias tenha, oficialmente, tido início a Campanha Eleitoral, há muito que ela está na rua. Foi, é sempre, assim como a abertura da caça: - Mal o dia se adivinha, começam a preparar-se as armas, a escolher as reservas e o terreno livre, a preparar o tiro. Com as campanhas é a mesma coisa. 
Cada candidato, com o seu séquito de batedores, estabelece o plano de acção: - Identificar o que está mal, propor melhorias, esmiuçar os defeitos dos adversários e partir à caça de votos. Cumprimenta-se toda a gente, oferecem-se brindes com sorrisos, dão-se beijinhos mais ou menos a contra-gosto e garante-se mudança. Todos, sem excepção, apresentam a garantia de diferença e de melhoria. Todos colocam o seu Concelho em primeiro lugar (pelo menos até ao dia 1 de Outubro).
Nos primeiros anos após o 25 de Abril, este tipo de campanha podia fazer sentido. Hoje, para mim que voto, participo, integro listas, fiz escolhas e quero mudança, não faz sentido nenhum. Aliás, ouso pensar que para os candidatos também faz pouco sentido, porque os tenho encontrado, a todos, um pouco embaraçados no seu papel de salvadores do Concelho. 
Com tantos órgãos de comunicação, creio que este exercício de democracia porta a porta só chateia. A mim, sinceramente, chateiam-me os carros roufenhos que gritam músicas gastas e frases inacabadas, entre outros ruídos violentos. 
É preciso, claro, fazer campanha, mostrar aos eleitores o que se oferece e o que, de alguma forma, poderá ser mesmo diferente. Mas, para mim, em pleno século XXI, quando criancinhas de seis e sete anos vão de I-phone para a escola, creio que tudo poderia ser feito com mais dignidade e menos incómodo para todos...

domingo, 17 de setembro de 2017

Bons Conselhos com Castanhas

Sabe para que quero estas castanhas, são as da Índia... Eu não sabia. Mas a senhora era simpática, eu estava só a ler, deixei a conversa correr. Será para combater as traças? A minha mãe usava-as para isso. A senhora sorriu, misteriosa. Não... servem para limpar as pessoas dos males que os outros lhes querem. Metem-se num frasco, só uma para cada pessoa, e espera-se. Se houver males, mau-olhado está a perceber, elas incham, rasgam-se e deitam fora. Fica uma água castanha, suja, que não se pode deitar fora... Bebe-se? A senhora sorriu. Não, que ideia! (Acho que ela pensou que estupidez...) Enterra-se a água e a castanha. Não quer levar?
Eu quis. Trouxe para mim, para as minhas filhas e para os meus netos. Não é que eu seja supersticiosa, mas prevenir nunca fez mal a ninguém!