segunda-feira, 21 de agosto de 2017

TÃO JOVENS

17 anos. 22 anos. 16 anos. 21 anos. São muito jovens os terroristas de hoje. São pessoas com, teoricamente, um futuro pela frente, uma vida a preencher de coisas boas, que escolhem matar e, muitas vezes, morrer. 
Porquê? Que há gente má, já o sabemos. Que há loucos, também não é novidade. Que há grandes senhores a pagar para  espalhar o horror, também não é nada que surpreenda (embora indigne!). 
Mas porquê tão jovens? Talvez seja a minha alma de professora a falar mais alto mas vejo, nestes jovens, um desalento de quem está perdido. Jovens que se deixam manipular, usar, pelo Mal, sem que a sociedade humanista (?) se preocupe em indicar-lhes o caminho do Bem. 
Talvez procurem fama, talvez um grupo a que pertençam, talvez uma forma de aceder à individualidade reconhecida. Não sei... Mas, na minha estupefacção, penso que o ódio crescente que os jovens praticam deve exigir às Escolas um olhar atento. E sério...
Não há mais lugar, defendo eu, para a Escola que exclui, para a Escola que olha cada um como sendo um todo. Não há mais lugar para aprendizagens compartimentadas! Urge, e talvez seja mais uma Revolução deste século, olhar cada um de forma individual, dar espaço aos afectos e às relações humanas, permitir percursos de aprendizagem inovadores e personalizados. Urge abrir as portas da sala de aula ao gosto de aprender... 
Aproxima-se o início de mais um ano e não podemos - TODOS - deixar que tudo siga igual. Como se não houvesse presente, como se a mudança social não estivesse a gritar presente!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

ADIAMENTO

Lembras-te da viagem que, um dia, haveríamos de fazer os dois? A dois? Lembras-te da conversa que haveríamos de ter, a dois? Lembras-te das promessas, tantas, de um dia..., a dois, para dois, sempre? lembras-te dos copos de pé alto que compraste para, um dia, bebermos aquele champanhe francês que jaz na garrafeira há dez anos? Lembras-te da promessa de voltar a Barcelona? De passear por Roma e nos perdermos, um no outro, a dois, nas ruelas ruidosas? 
Pois se lembras, esquece. Porque há um Tempo marcado para o sonho. Um Tempo em que os possíveis acontecem, ou não. 
Se não,  diluem-se nos adiamentos. Por isso, se te lembras, esquece agora! Esquece porque a viagem já não faz sentido, o copo partiu-se e o champanhe poderá sempre ser um presente de Natal para um amigo especial.
Esquece. 
A mim, dai-me Senhor, a paz do esquecimento!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

DANÇAR

Olá,
Escrevo-te a ti. A ti que não  existes, a ti que, às vezes, pareces existir no outro lado do meu eu. Escrevo-te porque me apetece conversar. Não quero conselhos - estou tão farta de quem sabe tudo! -, não quero razões alheias - ficam-me curtas -, não quero sequer concordância - não podes concordar com o absurdo!
Quero, só, que oiças. Ou leias, o que, neste caso, é exactamente a mesma coisa. Ouve então. 
Ouve o descompasso do meu coração, ouve o desejo contido de um quotidiano diferente. Não fales! Ouve a minha mágoa de não conseguir ser outro eu, escuta o meu desejo de paradoxos absolutos. Com atenção, sem suspirares de cansaço, deixa-me enumerar os meus medos. Os medos de cada hoje. Dessa fileira de hojes que, abusivamente, transformam o futuro em ontem.
Estás cansado de ler? Só mais um pouco. Um pouco para te contar da macieza da areia, na zona da rebentação do mar que me assusta. Um pouco para te lembrar a música que faz o barco, quando rasga ondas. Música... Aquela que nos ilumina no abraço ritmado. 
Isso. Vamos dançar?

OPTIMISMO

O Verão não contribui mesmo nada para a minha felicidade. Sou, invariavelmente, atacada por uma lassidão, uma vontade extrema de jibóiar que me causa uma inexplicável angústia. Normalmente, esgoto as horas de calor à beira da piscina, na companhia de um bom livro e de muitos sonhos. 
Este ano, por força das circunstâncias, ainda não pude hibernar (ou deveria dizer hiveranizar?) e o meu  quotidiano escaldante está a dar cabo de mim. É um processo de transformação, este de passar as manhãs na escola, durante o mês de Agosto... Mas, afinal, transformação é o que eu, muito sinceramente, gostaria que acontecesse na Escola, em particular naquela onde trabalho, por isso não é mau que eu sofra na pele algumas das dores que transformar implica.
E é assim. Apesar do calor, de alguma irritação, de muitos receios, de confrontos adivinhados, estou optimista. 
Vá lá eu entender-me...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

FUMO E NEVOEIRO

Nunca fui apoiante deste governo mas, admito, cheguei a pensar que as coisas estavam a correr de forma aceitável. Claro, eu sabia, como toda a gente, que a Sorte bafeja os incautos... Aconteceu sermos campeões europeus, ganharmos a Eurovisão, sairmos do policiamento económico, e tudo isso ajudou a levantar a moral dos portugueses. Para mim, acresceu o facto de estar absolutamente de acordo com as medidas educativas, ser uma confessa admiradora do actual secretário de estado e acreditar, mesmo!, que o caminho do sucesso educativo pode ser feito já.
Ora, infelizmente, os últimos acontecimentos fizeram-me cair bruscamente na realidade: - Este governo não governa, faz gestão à linha de margem, o que significa gerir para a fotografia. 
O horror de Pedrogão, com 500 casas destruídas, 64 mortes, muitas empresas e milhares de hectares ardidos deixaram a nu o desnorte do governo. Ninguém age de facto, ninguém explica, ninguém assume responsabilidades. No entanto, alguém pede um estudo para ver se o fogo chamuscou a imagem dos governantes... 
E ainda mal refeita desta barbaridade, confronto-me com o assalto a Tancos. Armas importantes e numerosas a desaparecer, ausência de vigilância, desgoverno total. 
O ministro dos negócios estrangeiros, acabei de ouvir, diz que também acontece noutros países, o general diz que a rede estava a ser consertada, o ministro da Defesa diz que já tinha autorizado a recuperação da video vigilância...
É uma situação grave demais para se poder asneirar assim! Demitem os coronéis, mas continuam os ministros e os generais. 
Este governo, afinal, não governa. Não sabe sequer guardar a casa! Este governo assusta! Este primeiro-ministro, tão optimista e sorridente, faz férias em Espanha enquanto o país é assaltado...
Ah Portugal! Hoje, já nem és nevoeiro... Tornaram-te fumo apenas!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Os Grandes Egos

Freud nunca deve ter imaginado o que a sua constatação científica havia de provocar no mundo. Cada vez é mais difícil, acho eu, gerir egos. Porque toda a gente, ou muita gente, sobretudo se de inteligência reduzida, apresenta um ego do tamanho do mundo! Da altura do ego, colocando-se em bicos de pés, exigem protagonismo, um lugar na primeira fila da vida, reconhecimento de coisa nenhuma. Os grandes egos são, um pouco, como os pseudo-sábios, aquelas pessoas que estão tão seguras de tudo saber que não conseguem olhar para além do seu umbigo! Normalmente, os grandes egos vestem-se de hipocrisia, gostam do anonimato, da conversa escondida, da rasteira desonesta...Por tudo isto, e por mais muitas coisas que nem ouso escrever, os que incham o ego não sabem pedir desculpa, não sabem reconhecer falhas. Apontam sempre o dedo, adoptam a técnica da vitimização e chateiam que se farta quem com eles se cruza!
Se fosse possível recuar no tempo, eu diria a Freud que reconsiderasse as suas descobertas científicas...

domingo, 18 de junho de 2017

HORROR

Ainda não foram criadas as necessárias palavras para dizer o horror e o violento absurdo que aconteceu, e continua a acontecer, na zona centro do país. Pedrógrão Grande, Leiria, muitas pequenas aldeias que nem sabia que existiam, tudo engolido pelo fogo, pintado de negro pela morte. Carros carbonizados, corpos perdidos numa tentativa de fuga desesperada, o inferno a fazer-se verdade.
Não sei se há culpados. Talvez, no fundo, todos sejamos culpados pelos sucessivos atentados à natureza, pela construção desenfreada, pelo desrespeito pelas espécies autóctones e a inserção de árvores invasoras; ou talvez não haja culpados, porque as trovoadas secas acontecem, porque os horrores o são em si mesmo. Vejo as lágrimas de tanta gente e sinto uma dolorosa impotência. Não consigo deixar de pensar que todos devíamos fazer mais...
Olho a Serra e penso que podia ter acontecido aqui. De repente, as minhas tristezas e desilusões tornam-se ridículas e insignificantes. Os meus desamores, as minhas revoltas, as minhas lutas por algo melhor, nada faz sentido face à imensidão do horror que o fogo espalhou. Queria, agora, a paz do esquecimento, como canta o Zambujo na minha solidão.